Paciente com queimaduras de segundo e terceiro graus na face apresentou importante evolução nas primeiras semanas após tratamento com enxerto híbrido utilizando SVF e SVM. Caso conduzido em Ribeirão Preto pela cirurgiã plástica Dra. Aneliza Vittorazzi mostra como novos recursos da medicina regenerativa vêm ampliando as possibilidades da cirurgia plástica reconstrutiva.
Medicina regenerativa no tratamento da queimadura facial grave
AVISO: Este conteúdo apresenta imagens reais de um caso clínico de queimadura facial grave e pode ser sensível para algumas pessoas.
Uma queimadura grave no rosto representa um desafio que vai muito além da cicatrização de uma ferida.
No tratamento, é preciso considerar a profundidade da lesão, as estruturas atingidas, o risco de retrações e cicatrizes patológicas, alterações de pigmentação, preservação dos contornos e movimentos da face e a própria qualidade do tecido que permanecerá depois da recuperação.
Quando a lesão atinge uma pele negra, há ainda particularidades que precisam ser consideradas durante o planejamento e acompanhamento da cicatrização.
Foi diante desse cenário que a cirurgiã plástica Dra. Aneliza Vittorazzi, em Ribeirão Preto (SP), recebeu uma paciente com queimaduras graves de segundo e terceiro graus em extensa área da face.
A estratégia adotada associou os princípios da cirurgia plástica reconstrutiva a recursos da medicina regenerativa, área à qual a médica vem se dedicando há anos e na qual integra um grupo de profissionais pioneiros no Brasil na aplicação dessas abordagens à prática da cirurgia plástica.
Neste caso, foi realizado enxerto híbrido utilizando SVF e SVM.
A evolução foi documentada fotograficamente desde o início do tratamento. Em menos de 30 dias, as imagens já permitiam observar uma importante resposta do tecido. Em 30 de julho, 78 dias após o início do acompanhamento, uma nova documentação mostrou a continuidade do processo de recuperação.
“Quando tratamos uma queimadura profunda, principalmente na face, não estamos olhando apenas para o fechamento de uma ferida. Estamos pensando na qualidade do tecido que estamos conseguindo preservar e reconstruir, na função, no contorno, na pigmentação e na cicatriz que acompanhará esse paciente no futuro. É justamente nesse ponto que a medicina regenerativa abriu uma nova frente de estudo e de possibilidades dentro da cirurgia plástica reconstrutiva”, explica a Dra. Aneliza Vittorazzi.
O caso: queimaduras de segundo e terceiro graus em extensa área da face
A paciente apresentava queimaduras envolvendo diferentes regiões da face, incluindo nariz e bochechas.
A profundidade de uma queimadura interfere diretamente na capacidade de regeneração espontânea da pele.
Nas lesões de segundo grau, há comprometimento da epiderme e de diferentes profundidades da derme. Nas queimaduras mais profundas, parte dos elementos responsáveis pela regeneração cutânea pode ser destruída.
Já as queimaduras de terceiro grau comprometem toda a espessura da pele e podem atingir estruturas mais profundas. Nesses casos, a capacidade de regeneração espontânea é muito mais limitada e procedimentos reconstrutivos podem ser necessários.
Na face, existe uma dificuldade adicional: pequenas retrações podem produzir consequências relevantes. Pálpebras, lábios, nariz e outras estruturas possuem funções específicas, e a preservação da anatomia precisa ser considerada desde as primeiras decisões terapêuticas.
Para a Dra. Aneliza, essa visão muda a maneira de conduzir o tratamento.
“Em uma queimadura facial, cada milímetro importa. O nosso planejamento começa pensando não apenas em cicatrizar, mas em preservar aquilo que é possível e oferecer ao tecido as melhores condições para se recuperar. Quanto melhor conseguimos conduzir as primeiras etapas, melhores são as condições que teremos para trabalhar a qualidade dessa cicatriz ao longo do tempo.”
Pele negra exige atenção especial durante a cicatrização
A cor da pele não muda a classificação da profundidade da queimadura, mas pode influenciar de maneira importante a evolução das cicatrizes e das alterações pigmentares.
A literatura científica mostra que pacientes com fototipos mais altos apresentam maior predisposição a cicatrizes elevadas e alterações de pigmentação após queimaduras. Hipopigmentação, hiperpigmentação, cicatrizes hipertróficas e queloides estão entre os desafios descritos.
Em uma pele negra, áreas que perdem pigmentação também tendem a apresentar contraste visual muito mais evidente com a pele não lesionada.
Isso torna particularmente importante avaliar não apenas se a ferida fechou, mas como aquele tecido está cicatrizando.
“Quando tratamos peles negras, precisamos acompanhar com muita atenção a resposta cicatricial e a pigmentação. Uma queimadura pode estar clinicamente fechada e ainda assim deixar alterações importantes de textura, relevo e cor. Por isso, o tratamento não termina quando a ferida fecha”, afirma a cirurgiã.
A escolha do enxerto híbrido com SVF e SVM
A partir da avaliação da profundidade e das características das lesões, foi indicada para essa paciente uma abordagem regenerativa com enxerto híbrido utilizando SVF e SVM.
A SVF, sigla em inglês para Stromal Vascular Fraction ou fração vascular estromal, é obtida a partir do tecido adiposo do próprio paciente e reúne diferentes populações celulares e componentes envolvidos nos processos de reparação tecidual.
Entre eles estão células estromais, células endoteliais e seus precursores, pericitos, macrófagos e células com características progenitoras.
Esse conjunto vem sendo estudado na medicina regenerativa por sua participação em processos relacionados à formação de novos vasos, modulação da resposta inflamatória, sinalização celular e remodelação da matriz extracelular.
A estratégia utilizada no caso associou SVF e SVM em um enxerto híbrido, buscando aproveitar componentes celulares e estruturais do tecido adiposo dentro de uma proposta regenerativa.
Isso não significa simplesmente “colocar células-tronco na queimadura”.
É uma abordagem biologicamente mais complexa.
“A regeneração não depende de uma única célula. Existe uma interação entre células, matriz, vascularização, mediadores inflamatórios e o próprio ambiente da lesão. O que estudamos na medicina regenerativa é justamente como podemos trabalhar esse ambiente biológico para favorecer a reparação do tecido”, explica a Dra. Aneliza.
A médica ressalta, no entanto, que a indicação precisa ser individualizada.
“Uma técnica não é boa simplesmente porque é nova. Ela precisa ter fundamento, indicação e fazer sentido para aquele paciente. Medicina regenerativa exige estudo, conhecimento de biologia tecidual e, principalmente, conhecimento de cirurgia plástica reconstrutiva. É a associação dessas áreas que orienta nossas decisões.”
13 de maio: início do tratamento da queimadura facial grave
No dia 13 de maio de 2026, foi realizado o tratamento com o enxerto híbrido utilizando SVF e SVM.
A documentação dessa primeira etapa é importante para compreender a extensão e a profundidade das lesões e estabelecer uma referência objetiva para as avaliações posteriores.
Em uma queimadura grave, os primeiros dias e semanas fazem parte de um processo biológico intenso.
Inflamação, formação de novos vasos, proliferação celular, deposição de matriz e posterior remodelação fazem parte de um processo contínuo. Por isso, o resultado de um tratamento reconstrutivo não deve ser analisado apenas em uma fotografia isolada.
Menos de 30 dias depois: a evolução da queimadura facial grave
10 de junho de 2026
No dia 10 de junho, apenas 28 dias após o início do tratamento, a nova documentação mostrou uma evolução clínica importante.
Era possível observar redução das áreas lesionadas e progressão da cicatrização, com formação de tecido e evolução do processo de reparação.
Para a cirurgiã, a velocidade da resposta chamou atenção, mas precisa ser interpretada dentro de todo o contexto clínico.
“Foi uma evolução que nos deixou muito satisfeitos, principalmente quando consideramos a profundidade e a extensão inicial das lesões. Mas medicina séria exige cautela. Nós não olhamos apenas para uma fotografia. Avaliamos vascularização, qualidade do tecido, cicatrização, retração, pigmentação e função. E continuamos acompanhando porque a cicatriz ainda passará por um longo período de remodelação.”
A observação é importante porque 28 dias não representam o resultado final de uma queimadura dessa magnitude.
A cicatrização continua se modificando durante meses.
78 dias de tratamento: como estava a recuperação em 30 de julho
Em 30 de julho de 2026, 78 dias depois do início do tratamento, a documentação clínica permitiu observar a continuidade da recuperação.
As fotografias mostram a evolução de regiões particularmente delicadas, como nariz e bochecha, permitindo comparar não somente o fechamento das lesões, mas também aspectos relacionados à textura, contorno e qualidade da cicatrização.
Linha do tempo do caso clínico
| Data | Momento clínico | O que estava sendo avaliado |
|---|---|---|
| 13/05/2026 | Tratamento com enxerto híbrido SVF + SVM | Condição inicial das lesões, profundidade, áreas comprometidas e início da estratégia regenerativa |
| 10/06/2026 | 28 dias de evolução | Progressão da cicatrização, formação de tecido e resposta inicial das áreas tratadas |
| 30/07/2026 | 78 dias de evolução | Qualidade do tecido, contorno, pigmentação, cicatriz e continuidade da remodelação |
A tabela não representa uma escala de resultados nem um protocolo aplicável a outros pacientes. Ela registra exclusivamente a evolução deste caso clínico.
O que acontece com a pele depois de uma queimadura profunda?
Um dos pontos mais importantes para compreender o tratamento é saber que cicatrização e regeneração não são sinônimos de um evento instantâneo.
A recuperação acontece em etapas biológicas que se sobrepõem.
Fase inflamatória
É a resposta inicial do organismo à lesão. Há ativação do sistema imunológico e início da limpeza do tecido danificado.
Fase proliferativa
O organismo começa a formar novos vasos sanguíneos, matriz extracelular e tecido de granulação. Fibroblastos e outras células participam intensamente desse processo.
Remodelação
É uma etapa longa, que pode continuar durante muitos meses. O colágeno se reorganiza e características como espessura, elasticidade, relevo e coloração da cicatriz continuam se modificando.
Por isso, a avaliação de um caso como este precisa ser longitudinal.
“Quando mostramos as imagens de 28 ou 78 dias, estamos mostrando momentos de uma recuperação. Não estamos apresentando um resultado definitivo. O tecido continua biologicamente ativo e a nossa função é acompanhar essa evolução e intervir quando necessário”, destaca a Dra. Aneliza.
Medicina regenerativa não substitui a cirurgia plástica reconstrutiva
Os avanços da medicina regenerativa vêm despertando interesse mundial, especialmente pela possibilidade de trabalhar não apenas a cobertura de uma lesão, mas o próprio ambiente biológico envolvido na reparação.
Estudos sobre a fração vascular estromal investigam mecanismos relacionados à angiogênese, imunomodulação, sinalização celular e produção de matriz extracelular.
Isso não significa, entretanto, que tratamentos regenerativos substituam as técnicas consolidadas da cirurgia plástica.
A literatura sobre SVF em feridas e queimaduras é promissora, mas ainda está em desenvolvimento. Existem estudos pré-clínicos e estudos em humanos, porém ainda são necessários trabalhos clínicos mais robustos para estabelecer indicações, protocolos e resultados de maneira definitiva.
Para a Dra. Aneliza, esse cuidado científico é fundamental.
“Eu estudo medicina regenerativa justamente porque acredito no potencial que ela tem dentro da cirurgia plástica. Mas ser pioneira não significa abandonar o que já sabemos. É o contrário. Quanto mais avançada é uma técnica, maior precisa ser a responsabilidade na indicação, no acompanhamento e na forma como comunicamos os resultados.”
E as queimaduras antigas? Ainda existe possibilidade de tratamento?
Outro ponto importante é que a cirurgia plástica reparadora não atua somente durante a fase aguda da queimadura.
Pessoas que sofreram queimaduras há meses ou anos podem permanecer com cicatrizes hipertróficas, retrações, alterações de pigmentação, irregularidades de contorno, aderências e limitações funcionais.
Essas sequelas podem ser avaliadas mesmo muito tempo depois do acidente.
O tratamento depende do tipo de sequela e pode envolver diferentes recursos da cirurgia plástica e da medicina regenerativa. Não existe uma técnica única capaz de resolver todos os casos.
“Recebo pacientes que chegam acreditando que, porque a queimadura aconteceu há muitos anos, não existe mais possibilidade de tratamento. Isso não é necessariamente verdade. Uma cicatriz antiga precisa ser examinada. Precisamos entender o que incomoda aquele paciente, quais tecidos estão comprometidos e quais recursos podem realmente oferecer algum benefício”, explica a médica.
Mais do que tratar uma cicatriz
Queimaduras na face têm uma dimensão particularmente delicada.
Além das consequências físicas, alterações permanentes na aparência podem interferir na autoestima, nas relações sociais e na qualidade de vida.
A literatura médica reconhece que cicatrizes hipertróficas e alterações de pigmentação após queimaduras podem ter repercussões psicossociais importantes. Em peles negras, o contraste provocado por áreas hipopigmentadas pode tornar essas alterações ainda mais evidentes.
É justamente por isso que a reconstrução precisa ser entendida de maneira ampla.
“Cirurgia plástica reparadora não é apenas reconstruir uma superfície. Estamos tratando uma pessoa que precisa voltar a olhar para o próprio rosto, se reconhecer e retomar sua vida. Técnica e ciência são fundamentais, mas nunca podemos perder essa dimensão humana do tratamento”, afirma a Dra. Aneliza Vittorazzi.
Um caso não determina o resultado de outro
A evolução apresentada neste caso é individual.
Profundidade e extensão da queimadura, região atingida, tempo decorrido até o atendimento, idade, características da pele, condições clínicas, capacidade individual de cicatrização e cuidados posteriores podem interferir no resultado.
As imagens apresentadas têm finalidade educativa e demonstram a evolução clínica desta paciente em diferentes momentos do tratamento.
Elas não representam promessa ou garantia de resultados semelhantes em outros pacientes.
A avaliação de queimaduras recentes ou de sequelas antigas deve ser realizada individualmente por profissional habilitado.
Dra. Aneliza Vittorazzi e a medicina regenerativa em Ribeirão Preto
A Dra. Aneliza Vittorazzi é cirurgiã plástica em Ribeirão Preto (SP), com atuação em cirurgia plástica estética e reparadora e dedicação ao estudo e à aplicação da medicina regenerativa dentro da especialidade.
A médica está entre os profissionais que vêm trabalhando de forma pioneira no Brasil com abordagens regenerativas aplicadas à cirurgia plástica, especialmente em situações complexas envolvendo cicatrização, reconstrução e qualidade tecidual.
Seu trabalho reúne os fundamentos da cirurgia plástica reconstrutiva, acompanhamento individualizado e estudo contínuo das novas possibilidades oferecidas pela medicina regenerativa.
Casos de queimaduras recentes ou sequelas de queimaduras antigas precisam ser avaliados individualmente para determinar quais possibilidades terapêuticas podem ser consideradas.
Referências científicas utilizadas para este conteúdo
A literatura científica consultada inclui revisões sobre fração vascular estromal e seus mecanismos regenerativos, estudos sobre sua utilização em feridas cutâneas, pesquisas sobre produtos derivados do tecido adiposo em queimaduras e trabalhos dedicados às particularidades das cicatrizes e alterações de pigmentação pós-queimadura em diferentes tons de pele.



